Dia ruim

“Cisne Negro” faz com que você se sinta o mais esperto dos débeis-mentais: ao som de música erudita, te mergulha no cotidiano de uma bailarina complexada e te obriga a provar um bocado da mesma paranóia vivenciada por ela. Mas tudo com muita cautela, já que o espectador não é lá muito inteligente e pode se sentir perdido no meio de toda essa confusão: e dá-lhe artifícios explicativos e psicologismos de boteco!

Perceber-se vítima de uma picaretagem não é uma sensação das mais agradáveis. E ao término da sessão fico pensando nisso tudo, acreditando na impossibilidade do dia se tornar ainda mais melancólico. Aí descubro há poucos minutos que a Tura Satana morreu nessa semana.

Pois é, fiquei sabendo apenas agora.

Se coexistissem num mesmo universo, as strippers exóticas de “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” provavelmente submeteriam a bailarina monga de “Cisne Negro” a umas boas porradas, sem firulas nem refinamentos postiços.

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